domingo, 20 de maio de 2012

à vista...

Sempre que me deparo com um castelo abandonado, dá-me vontade de conquitar, o castelo e a sua metropole. "Já agora vale a pena pensar nisso" PFP

quarta-feira, 16 de maio de 2012

AUTÁRQUICAS 2013 (I)



Em Beja, nas autárquicas 2013 prevê-se uma luta acérrima perante os [potências] candidatos que se estão a posicionar para encabeçar as listas dos partidos políticos à Capital do Burgo.

São várias as personalidades dos vários quadrantes políticos, por um lado, do lado do PS tudo indica que JPV encabeçara a lista a câmara municipal de Beja (crio que com o desejo de não ser reeleito atendendo à conjectura em que [encontrou] e possivelmente irá deixar o município, é muito pouco provável um outro candidato do PS à edilidade do Burgo.

Pelas bandas da rua da ancha, há muito que se trabalha com o intuito da “reconquista” como se de uma batalha se tratasse, quiçá a batalha dos 100 anos, mesmo assim seriam poucos anos para que tivessem tempo para crescer.

Mesmo assim, os nomes que se falam no Burgo, Narra ou Rocha, o Rocha “tem obra” diz-se, é Serpa é de facto, ou pelo menos deveria ser um exemplo a seguir. O Narra, num pequeno concelho quiçá embriagado pela paisagem circundante tem feito da pedra pó, e do pouco muito. É um facto.

Pelo CDS-PP, Dargand será, muito provavelmente, a escolha acertada, que promoverá o debate de ideias em prol da Cidade de Beja.

Para Beja, poderá ser requisitado o dinossauro de Almodôvar em ultimo mandato pelos lados de Almodôvar, este, António Sebastião, tem um factor a seu favor, a obra realizada, o equilíbrio financeiro (de boa saúde) a escolha da equipa para o auxiliar, sabe ouvir, sabe dizer não e sabe também o que é trabalho de formiguinha.
É bem provável que o BE não apresente candidatura própria à presidência da CMB, optando por apoiar uma candidatura independente que corre o risco de ganhar, ou se não ganhar, em caso de derrota do PS e do PCP pode saborear o sabor da vitória discreta.

domingo, 17 de julho de 2011

Silêncios que se ouvem...

Ouvi o ruido das palavras escritas
ouvi o ruido do silêncio ensurdecedor

ouvi o grito da presença ausente
ouvi o vento
ouvi a lágrima perdida da tua ausência

também ouvi perguntarem por ti.

ouvi o cantar das cigarras
Ouvi o apelo dos girassóis

agradeço às cigarras e aos girassóis, ao Sol e à Lua, ao vento e ao mar
mas o tempo que não existe
esse
persite em querer a existir...

bem, abgradeço-te a ti
e à tua memória
o que sou
graças a ti!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Solidões

imagem da net

...

Deixai-me navegar, morosamente, a remos,
Quando ele estiver brando e livre de tufões,
E, ao plácido luar, ó vagas, marulhemos
E enchamos de harmonia as amplas solidões.

Cesário Verde

quinta-feira, 16 de junho de 2011


Soneto do Cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira*, in “Obra Poética”


referência fundamental da história da literatura e da cultura do século XX: David Mourão-Ferreira, o autor multifacetado cuja morte se assinala hoje.

David Mourão-Ferreira (24/02/1927-16/06/1996) Poeta, crítico, ensaísta, contista, novelista, romancista, cronista, dramaturgo, tradutor, conferencista, nasce para a literatura em 1945, ano em que publica os seus primeiros poemas na revista Seara Nova.

Considerado o poeta do amor e da mulher levantou o véu à própria complexidade da sua narrativa, sinal de uma paixão madura por um ofício que o permitia olhar no tempo. Sintoma dessa realidade eram os milhares de livros nas estantes da sua casa que integravam o próprio espaço com íntima familiaridade e cumplicidade.

Morreu em 1996, em Lisboa, sem deixar de escrever:

Antes de sermos fomos uma sombra

Depois de termos sido que nos resta

É de longe que a vida nos aponta

É de perto que a morte nos aperta.

David Mourão-Ferreira, Os Ramos e os Remos

preservo ainda hoje um manuscrito onde David Mourão-Ferreira deseja “a realização dos meus sonhos e projectos...



terça-feira, 14 de junho de 2011

cuidado[s] fisico[s] e execução

imagem da net


"... a manutenção de um sítio exige simultaneamente cuidado fisico e a execução de actos que têm por objectivo cuidar do espirito que nele se aloja. Sem estes procedimentos de manutenção, o sitio permanece, mas diz-se que perde o espírito nele contido. Diz-se então que morreu e pensa-see que também morreram todos os que partilham características físicas e conexões espirituais com ele. Assim, para prolongar o bem-estar da vida, os sítios devem ser cuidados e os ritos executados para manter vivos os poderes dos sonhos neles aprisionados."


Helen Payne*

* antropologa, autora de "Rites for sites or sites for rites? The dynamic of women's cultral life in the musgraves, 1989

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa 123

"a minha pátria é a Língua Portuguesa" escreveu FP


Grandes Mistérios Habitam


Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa*

Fernando Pessoa (13 Junho 1888-30 Novembro 1935)