domingo, 22 de novembro de 2009

cumprir as obrigações constitucionais - fazer cair o Governo

Mário Crespo, no seu artigo de opinião publicado no JN no passado dia 16 vai buscar a história veridica de Mark Felt e faz um paralelismo com o actual estado demente da democracia Portuguesa face ao processo Face Oculta, ultimamente em forte ebolição...

Mário Crespo

Uma questão de honra

Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.

Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra.

Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes.

A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais.

Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis. Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos.

Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices.

E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais.

Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer.

Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há.

Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis.

E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes.

A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte.

Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever

e faça cair este governo.

... à boa maneira de MFL

fonte: www.correioalentejo.com

No pasquim do Município desta semana, a manchete reforça a minha primeira percepção "excelente táctica de defesa" de Jorge Pulido Valente - Recém chegado à edilidade Bejense.

JPV parece ter feito escola com MFL, mas acredito que JPV tenha aprendido com o passado e que tenha presente as palavras do Ex-Presidente da República - Jorge Sampaio quando este afirmou "... há mais vida para além do défice..."



camisolas da "rosa" e da "foice e do martelo"... irá parar no cinto?

No passado dia 21 de Outubro é publicado no JN uma entrevista ao recém eleito presidente da CM Beja - Jorge Pulido Valente - as revelações para uns foram, se me permitem "bombásticas" para outros "alarmantes" mas para mim... vejo nas palavras do Presidente eleito uma excelente táctica de defesa...

A manchete intitula "A gestão financeira foi um descalabro"

Presidente eleito da Câmara de Beja... promete "arrumar a casa" e resistir às pressões partidárias: "Não vamos trocar a foice e o martelo pela rosa"

Transcrevo na integra entrevista:

"Chegado de Lisboa há 20 anos, tendo como destino o Campo Arqueológico de Mértola, Pulido Valente tem em 1982 a sua primeira experiência autárquica como independente pela CDU.

Já em rotura com os comunistas, candidata-se à edilidade mertolense numa lista do PRD, sendo derrotado. Entre 1986 e 1998, é chefe de Divisão da Câmara de Beja, de onde sai para, até 2001, ser director regional do Ambiente. Nas Autárquicas de 2001, avança como cabeça-de-lista e ganha as eleições, repetindo o triunfo em 2005. A 11 de Outubro último, cometeu o feito histórico de derrotar os comunistas que lideravam a Autarquia bejense desde o 25 de Abril.

Considera-se o grande "conquistador" da autarquia comunista ?

Não sou anticomunista primário. O meu combate é por projectos de desenvolvimento. Em Mértola, houve uma grande divergência com a CDU. O centralismo democrático levou ao meu afastamento. Em Beja, concorri porque percebi que o resto do distrito não progredia se a capital não avançasse. Beja não tinha futuro e prejudicava o desenvolvimento dos outros concelhos. Não sou um tomba-CDU, como agora se diz. Depois de Beja, não vou para outro lado derrubar comunistas. Foi uma coincidência.

Que motivações levaram a avançar com esta candidatura ?

A principal questão é que o PCP não tem interesse no desenvolvimento, para fazer a bandeira de luta contra o Governo e o Partido Socialista. Quanto mais se desenvolver o concelho e o distrito, menos razões há de queixa e isso não interessava. Este Executivo não tinha qualquer estratégia e visão para o concelho, além da total incapacidade para gerir a Câmara. Está tudo de pantanas. Toda a gente manda e ninguém manda. As chefias são ultrapassadas pelos funcionários do partido. Não há prioridades, os projectos estruturantes foram abandonados. A gestão financeira dos últimos seis meses foi um descalabro. Em dois dias, nas festas da cidade, estoiraram 350 mil euros.

Os projectos deixados pelo anterior Executivo são para cumprir?

Há compromissos assumidos que não podemos voltar atrás. Dou-lhe o exemplo do relvado da Salvada que está em vias de adjudicação e que vamos manter. Alguns dos projectos seremos nós a considerar, mas existem promessas feitas e não foram concretizadas.

Afirmou que a Câmara de Beja está armadilhada. O que quis dizer com isso ?

A situação financeira está descontrolada. Começaram a gastar dinheiro nos últimos seis meses muito acima das possibilidades e há um conjunto de dívidas significativas a fornecedores. É necessária uma grande contenção e conseguir parcerias para equilibrar as finanças. É preciso definir com muito rigor quais são as prioridades, nas diversas intervenções a desenvolver.

Na Assembleia Municipal, a CDU por ter a maioria, fará uma política de "terra queimada"?

Aquilo que já anunciaram foi isso. Colocar todos os entraves possíveis à gestão municipal. Na minha perspectiva, é um disparate completo e um tiro no pé e arriscam-se a morrer daqui a quatro anos. Espero que haja bom senso.

A afirmação de que 35 anos depois a democracia chegou a Beja foi a resposta ao seu opositor da CDU que o acusou de ter sido "um reles funcionário?

E não só. As pessoas tinham medo de ser vistos connosco, porque sabiam que eram tomadas de ponta. Uma pessoa trabalhou na Câmara com um vínculo muito precário e se não entrasse nas listas da CDU foi-lhe dito que iria à vida. As coisas pioraram nos últimos quatro anos. Eu era director de departamento e quando concorri à Câmara de Mértola fui saneado. O próprio Carreira Marques disse que tal aconteceu por pressão política. Isto é inadmissível e não vai passar-se connosco.

Já afirmou que vai despir a camisola do PS e vestir a de "Beja"...

Não temos de seguir as orientações partidárias. Não admito que venham dizer-me que tenho de fazer assim ou assado. Em Mértola, nunca fiz fretes ao Governo e recordo a questão dos centros educativos e a luta que tive com a ministra e o secretário da Educação. Não vamos trocar a foice e o martelo pela rosa.

Que mensagem vai transmitir aos trabalhadores e aos munícipes ?

As pessoas podem estar descansadas e tranquilas. Vamos arrumar a casa, constituir as equipas de trabalho. Há tarefas muito urgentes, como, por exemplo, preparar o Plano de Actividades e Orçamento. Mesmo antes de tomar posse, já estão a ser feitas reuniões com diversas instituições, para adiantar serviço. Temos uma equipa preparada e espero a colaboração e compreensão dos munícipes. Ao contrário de que a CDU disse, não fugi de Mértola, deixando a Câmara na banca rota. Vamos encontrar em Beja um nível de despesas absurdo, apanhar uma situação terrível para pagar aos fornecedores. Nalgumas áreas, vamos apostar numa mudança radical, para ter resultados imediatos. Acreditem em nós.

Durante a campanha, propôs um "Pacto de desenvolvimento económico". Vai aplicá-lo?

Reunir com os partidos, apresentar a nossa estratégia. O pacto está assente em três vectores que visam a criação de riqueza e de emprego. Acreditamos que todos vão dar o seu contributo, para bem do concelho e dos munícipes."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Parabéns MÃE!

imagem da net
Parabéns MÃE!
por teres nascido no dia que hoje comemoramos,
Por seres a minha mãe,
por seres uma mãe "galinha",
pelo teu amor incondicional...

que aos teus 70 anos se juntem mais uns quantos com Saúde, Alegria e Felicidade.
um beijo do teu filho

domingo, 27 de setembro de 2009

votar se votasse seria no BE



hoje,

se fosse votar votaria no Bloco de Esquerda... mas nestas eleições por razões pessoais vou-me abster...

sábado, 5 de setembro de 2009

As coisas que me fazem escrever...

Hoje,
estando eu no escritório, quase à hora da paparoca recebo uma chamada telefónia, do qual trasnscrevo o diálogo se é que este estistiu:

Operadora - Boa tarde. Estou-lhe a falar da zon e gostaria de falar com o responsável...
Aqui deste lado - No que posso ajudar?
Operadora - Tenho o praser de estar a falar com?...
Aqui deste lado - Está a falar comigo!
Operadora - O Senhor acaba de CONQUISTAR a nova Box da Zon TV Cabo com antena parabólica, 120 camais incluíndo os canais de filmes durante três meses totalmente gratuíto, tendo apenas k pagar a deslocação do técnico... 50€ (???!!!!......) Certo?! e se ficcar satisfeito paga apenas 9€ + 3€ por mês (mensalidade + seguro vitalicio)...
ainda a Operadora - Entre segunda e terça feira quando é k...
aqui deste lado - bom, se está certo ou errado isso não sei.
Como acabou de afirmar eu "acabei de conquistar..."
Operadora - Mas é totalmente gratuito...
Aqui deste lado - gratuíto pela quantia de 50 euros certo?
Operadora - Mas é a deslocação do técnico.
Aqui deste lado - Vamos por parte:
1º. - é a senhora que diz que "acaba de conqusitar"...
2º - a questão é saber se eu aceito essa conqusita...
3º - ... é gratuito, pois, acredito! pela quantia de 50€. Certo?
Operadora - Certo.
Aqui deste lado - Pois, não estou interessado!
Operadora - (com voz de cachorria triste) - Está bem... Beijhinhos.

Nota: se a operadora me tivesse falado dos "beijinhos" no ínicio até teria aderido ao serviço gratuito pela quantia de 50€, mas como só o fez no final, fiquei com o beijinhos realmente gratuitos...

terça-feira, 14 de julho de 2009

AQUI FUI CLARISSE (II)

imagem recebida por e-mail

AQUI FUI CLARISSE volta ao palco na Casa Amarela esta semana
Quinta(16/Jul), Sexta(17/Jul e no Sábado.


Fui à primeira apresentação no passado dia 9, com casa cheia - embora o espaço não leve muitas pessoas... - tenciono repetir para voltar a sentir ainda com mais intensidade a força das canções e as musicas que as acompanham.

A Crítica do Zig está em http://zigdebeja.blogspot.com/search/label/Cr%C3%ADtica%20a%20Espect%C3%A1culos, das suas palavras, tenho que concordar: "forte, essencialmente forte..."
Irei repetir, em princípio Sexta-feira, se ainda haver lugar...
Ouvir ao pormenor a profundeza dos poemas, irei com tempo, às 9.20 irei comprar o bilhete, beber um café ler as letras das canções que serão interpretadas por Isabel Moreira (Voz), Ângelo Martino (piano) e Jorge Teixeira (violoncelo).
Recomendo e reconheço o excelente trabalho de criação poética e musical...
para quem está na duvida entre ir e não ir ouça as palavras da encenadora de AQUI FUI CLARISSE, Gisela Cañamero à TVALENTEJO em http://www.tvalentejo.tv/index.php?view=2009071020105871

domingo, 12 de julho de 2009

Too Much Love Will Kill You

Relativizar Saramago...

de costas voltadas aos militantes
imagem da net


Jerónimo de Sousa - Secretário Geral do PCP - relativizou as palavas do Prémio Nóbel da Literatura - José Saramago, afirmando que "a CDU tem um projecto para Lisboa que é independente da opinião dos seus militantes..." a ortodoxia no seu melhor na voz do Secretário Geral do PCP.
Jerónimo fala em nome de "um colectivo" quando deveria dar ouvidos a esse mesmo colectivo em vez de lhe impôr ideias e projectos, os militantes do PCP terão consciência da profundeza das afirmações do Secretário Geral? Saberão os militantes do PCP que o projecto do PCP para Lisboa e para o País é "independente da opinião dos seus militantes"?
Será que também é necessário "um acordar" no PCP e exigir novas pessoas?

Uma coisa será certa, Santana Lopes se ganhar as eleições - o que eu acredito que aconteça e com maioreia absoluta em Lisboa, a concretizarem-se as minhas previsões, aqui, quer dizer em Lisboa, o PCP deu o seu contributo em nome do abstracto "COLECTIVO" ou da pura ortodoxia comunista.


Aqui no Burgo, a posição é a mesma, o projecto do colectivo do PCP é independente da dos seus militantes e da dos interesses da cidade... espero que aqui em Beja, o PC começe a sentir as consequências das suas atitudes e posições...

Hoje no DN:
A CDU "tem um projecto para Lisboa que é independente da opinião dos seus militantes, mesmo que notórios, que não alteram uma decisão colectiva".
Foi desta forma que Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, comentou o apoio de José Saramago à candidatura de António Costa. Em Viseu, onde esteve num almoço com militantes comunistas, Jerónimo acusou ainda o PS de "praticar a política da direita reaccionária" e de ser responsável pelo desemprego "galopante".
"Temos uma posição autónoma e construtiva, tomada de forma colectiva e não será posta em causa", assegurou o secretário-geral do PCP.
Jerónimo de Sousa garantiu ainda que "António Costa tem realizado uma política que não deu resposta aos anseios de Lisboa e iremos por isso manter a nossa posição autónoma", referiu.
Em Viseu, o secretário-geral dos comunistas, onde a CDU nunca elegeu qualquer deputado, reconheceu que "temos a certeza de pisar terra firma, embora íngreme, e tudo faremos para eleger um deputado que possa romper com este situacionismo onde não são respeitadas as ideias diferentes de quem está no poder".
No discurso de apresentação dos candidatos a deputados por Viseu, encabeçados por Manuel Rodrigues, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de "só querer ajudar a banca e o sector financeiro enquanto o povo continua a sofrer a inclemência de uma crise que não é para todos". Num discurso em que apelou ao reforço de votos na CDU, "à semelhança do que aconteceu nas Europeias" lembrou que "a alternância entre PS e PSD nestes últimos 35 anos contribuiu para que "o sector financeiro e bancário continue a alcançar lucros fabulosos enquanto os trabalhadores continuam a pagar a crise que não é para todos", concluiu.
Perante duas centenas de militantes comunistas e efusivamente aplaudido, Jerónimo apontou a "política profundamente fracassada" que desvalorizou "salários, pensões e reformas enquanto aumentou o desemprego para níveis galopantes onde hoje já temos 620 mil desempregados". O secretário-geral do PCP sustentou que "o importante é reduzir a base eleitoral das forças que praticam esta política de direita que tem sido feita pela alternância, entre PS e PSD, que está gasta e sem soluções para o País".

sábado, 11 de julho de 2009

sem ilusões...

A Travessia, Goao Xingkian (China1940)
Tinta da China sobre tela 116 x 89 cm
Museu Berardo, Sintra

Em artigo de opinião, publicado hoje no Expresso, Manuel Alegre - sem ilusões - tenta despertar um PS adormecido à sombra da laranjeira, alerta o seu PS para o que seria preciso "mais politica e menos marketing" e indo mesmo mais longe "... que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança não só de estilo, mas de pessoas e de políticas..."
Manuel Alegre há muito que iniciou a sua longa pravessia dentro do PS, continua... agora sem ilusões...
Na integra artigo de opinião de Manuel Alegre


Em nenhum outro país europeu a esquerda é eleitoralmente tão forte como em Portugal. Mas essa força não serve para grande coisa. Sobretudo não serve para governar, seja em coligação seja através de acordos pontuais.
Em caso de maioria relativa do maior partido da esquerda, a governabilidade só é garantida à direita, quer através do bloco central quer com o apoio do CDS. Nem o PCP e o BE estão disponíveis nem o PS quer governar com qualquer deles. As nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluírem-se umas às outras. É uma das originalidades portuguesas.
Depois da queda do muro de Berlim, os partidos comunistas quase se evaporaram. Com a honrosa excepção do PCP, não só pelo seu papel na luta antifascista, mas também devido ao facto de Álvaro Cunhal ter preservado a ideologia tradicional do partido, fixando assim o núcleo essencial do seu eleitorado.
Esperava-se então que fosse a hora do socialismo democrático. Mas o que veio foi a globalização neoliberal. Com os socialistas na defensiva ou ideologicamente colonizados. Essa é talvez a razão pela qual a nova crise global do capitalismo financeiro beneficiou a direita e não a esquerda. Parafraseando Saramago, para quê votar à esquerda se não há esquerda? Como projecto de governo, não há. Se não mudar, o socialismo europeu corre o risco de ter um destino semelhante ao do movimento comunista. Se a esquerda de poder imita o poder da direita e as outras continuam a sonhar com os amanhãs que já não cantam, se, no seu conjunto, a esquerda deixa de representar um horizonte visível de esperança, os eleitores viram-se para outro lado e para a ilusão da segurança que, em época de crise, a direita oferece. Pelo menos a direita sabe o quer: quer poder. E não tem os pruridos da esquerda, une-se para o conquistar.
As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. O que está em causa é o consenso constitucional aprovado por larga maioria, incluindo o PSD, sobre os direitos sociais (escola pública, universalidade do acesso à saúde, segurança social pública).
A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção da democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. Sabem-se os objectivos: papel do Estado, protecção social, direito do trabalho.
Os resultados desta receita estão à vista em toda a parte: desregulação do mercado entregue a si mesmo, busca sem freio do lucro pelo lucro com total indiferença pelos custos sociais, ausência de ética e transparência. Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição.
E por isso impunha-se um sobressalto. Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas. Na educação, no trabalho (cujo Código é imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam.
Seria preciso que o PS fosse capaz de se reencontrar consigo mesmo, com os seus valores e com o seu eleitorado. E que as outras forças de esquerda, sem abdicarem das suas posições próprias, definissem com clareza o adversário principal e se interrogassem sobre as consequências de um eventual governo de MFL.
Se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam.
Dir-me-ão que a maioria PS não governou à esquerda. Eu gostaria que tivesse governado de outra maneira. Mas também sei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com um governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável".
Como socialista, não me compete dizer ao PCP e ao BE o que devem fazer. Gostaria que uma maioria de esquerda fosse capaz de gerar soluções políticas alternativas. Mas não tenho ilusões. Tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma. O que está longe de acontecer.
Aos socialistas digo que ainda há tempo. Ainda é possível vencer o PSD. Mas não será com certeza ouvindo opiniões à direita e esquecendo a sua própria esquerda. Nas europeias, não foi o PSD que teve um aumento significativo de votação, foi o PS que perdeu grande parte da sua base social, a ponto de, pela primeira vez, ter ficado aquém de um milhão de votos. Várias vezes falei de um buraco negro na esquerda. A soma da abstenção com os resultados do BE e do PCP mostram que esse buraco se situa na área do PS. Não é crível que personalidades de direita consigam recuperar para o PS o eleitorado que este perdeu para a abstenção e para a esquerda. Os socialistas não podem ter um discurso emprestado. Não se combate o liberalismo ultra com o liberalismo suave. Nem se vence o PSD com ex-ideólogos do PSD. Ainda é possível dar a volta. Mas algo tem de acontecer. Apesar dos erros, a bandeira do PS não está no chão. Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes. Um pouco mais de esquerda. Ou, como diria Mário Cesariny, "um acordar".
Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita.

Fonte: http://clix.expresso.pt/opiniao-e-urgente-acordar-o-ps=f525633
Artigo publicado na edição impressa do Expresso de 11 de Julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

AQUI FUI CLARISSE (I)


Esta noite, em dia de grandes decisões... vou à Casa Amarela ver AQUI FUI CLARISSE, uma co-produção entre a arte pública e a Comp. de Teatro de Sintra.



sobre AQUI FUI CLARISSE de Gisela Cañamero

Debruçando-se sobre a impermanência e o efémero, a fragilidade das nossas convicções acerca da vida, construídas por sucessões de hábitos e de rotinas, AQUI FUI: CLARISSE. é um poema onírico que se instaura cenicamente através do diálogo entre a música, o canto, a representação e os universos sonoros e visuais, guiado por Adaíl – Aquele que mostra o Caminho – no momento do inesperado passamento de Clarisse - cuja consciência atravessará os estádios de estranheza – do espaço e do tempo – de negação, de talvez discernimento, de interrogação, de recordação, de apego e hesitação - até à aceitação da sua morte física.

Da autoria de Gisela Cañamero, a proposta dramaturgica é ancorada nos pressupostos de um dos principais intérpretes do budismo tibetano no ocidente, Soyal Rinpoche, e, poeticamente tocada pelos universos de Clarice Lispector, David-Mourão Ferreira, Ruy Belo ou de António Franco Alexandre.

em cena na Casa Amarela 9, 10, 11, 16, 17 e 18 JULHO às 22h00

quarta-feira, 8 de julho de 2009

politica para cabeças graníticas...

imagem da net

Vasco Graça Moura, no seu artigo de opinião (DN de 8 de Julho) ao seu "estilo" faz uma rádiografia a este governo que nos governa.
Na integra o artigo:
"Não está só desacreditado. O Governo está também completamente desconjuntado. Não governa. Acena com mais umas mirabolâncias para enganar os patetas que desejem ser enganados e já encontra muito poucos.
Nesta altura do campeonato, o Governo é incapaz e impotente para tomar seja que medida for.
Em crise de ideias salvadoras, o PS copia as propostas da oposição a torto e a direito. Não recua perante a pirueta tonta, a banha de cobra ignóbil, a mentira descarada e os expedientes baratos. Diz e desdiz-se. Desdiz-se e volta a dizer… Finge que avança para recuar, garante em seguida que está tudo em marcha e vem depois reconhecer que afinal não pensa em avançar.
Em torno da grotesca cena parlamentar que levou à demissão do mais singular recoveiro transportador de cheques da nossa história ficou à vista um pouco disso tudo. A simetria em riste com que um ministro, gesticulando, auto-ornamentou a testa espetando os dedinhos enquanto vociferava acabou por ser o dobre de finados. Projectou um episódio menor à escala planetária e, cá dentro, pôs mais à vista as aldrabices de fundo, os falhanços sucessivos, as incompetências acumuladas. Les portugais sont toujours gais… até nas variantes parlamentares do manguito e nas maneiras assaz telepáticas de os membros do Governo pedirem a demissão ao primeiro-ministro. Estão encostados às tábuas. E fica-se com a ideia de que andam todos à cornada.
O saldo da governação Sócrates e dos seus grandes projectos é este e só este: as megalomanias foram sucessivamente apresentadas como redentoras infalíveis da nossa mísera condição e depois ingloriamente remetidas para o Governo que há-de seguir-se às eleições de Setembro, não vá o Diabo tecê-las, tudo isto ante um coro de interessados, estarrecidos com a perspectiva de o negócio ir por água abaixo e de perderem o rico dinheirinho que esperavam amealhar.
Os fabulosos resultados proclamados ao longo de três anos em matéria de crescimento, de défice, de dívida externa, etc., etc., apresentam-se tão desgostantemente furados que
tanto o primeiro-ministro como alguns dos seus ministros deviam pintar a cara de negro e deixar de aparecer a dizer disparates na televisão e nos jornais.
Idem, quanto aos outros projectos salvadores ou criadores de emprego de que parece que nenhum se salva.
Idem, quanto aos gastos de dinheiros públicos canalizados à sombra de biombos artificiais e de constelações de pessoas e de interesses tão suspeitas quanto promíscuas.
Idem, quanto às fraudes à Lei evidentes e impudentes.
Idem, quanto às acusações, insinuações, verberações e outras indignidades mal alinhavadas contra a oposição, em especial contra o principal partido dela e contra a sua líder, num atarantamento imbecil que varia na razão directa do pânico em que os socialistas entraram.
Este Governo nunca esteve à altura da nossa realidade nem dos nossos problemas.
Este Governo não esclarece certos negócios e persiste em não apresentar documentos e informações que permitam entendê-los num contexto de transparência e de legalidade.
Este Governo mete os pés pelas mãos e as mãos pelos pés.
Este Governo tenta instalar a lei da selva em se tratando de pré-campanha eleitoral.
Este Governo é absolutamente indecoroso.
Este Governo envergonha Portugal.
De repente, há segmentos do PS que acordaram transformados numa espécie de Agitprop fraldiqueira capitaneada por José Sócrates e pelos seus apaniguados do costume.
Não se trata de discutir ideias importantes nem de analisar programas complexos e bem pensados como base da propaganda elaborada de uma força partidária que se toma a sério.
Trata-se de agitar um ramalhete já murcho de banalidades sem consequência ou de inexactidões descaradas, com recurso a expedientes verbais da mais barata retórica de feira, a ver se ainda há em Portugal analfabetos que acreditem na tropa fandanga que os profere. Política para primários e, de preferência, para cabeças graníticas da Idade da Pedra. Política desconjuntada e desconjunturada. Mas com muita imagem de televisão à mistura e, finalmente, umas bajulações e umas ternurências extremosas quanto às pequenas e médias empresas. Vale tudo. Mas é assim que se vê que
este Governo não vale nada."

artigo de opinião de Vasco Graça Moura em http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?
content_id=1302345&seccao=Vasco%20Gra%E7a%20Moura&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco#AreaComentarios

terça-feira, 7 de julho de 2009

um amigo... de Sintra.

Pedro_ um amigo que tenho a honra de ter
quando se ganha um amigo, é tão pouco todo o resto...
um abraço ao meu amigo de Sintra de seu nome Pedro P.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

BE convoca conferência de imprensa com tema único: "A PRIVATIZAÇÃO da ÁGUA"


Bloco de Esquerda em Beja convoca para esta quinta-feira, 2 de Julho, às 15.30 horas, uma Conferência de Imprensa na sua Sede Distrital - Rua Mestre Manuel, 17 - Beja, entre o Castelo e a Praça da República, com um único tema: A PRIVATIZAÇÃO DA ÁGUA e os atropelos à Democracia, com a imposição à pressa, a três meses das eleições autárquicas, de um Contrato de Parceria que entrega por 50 anos o domínio da captação e distribuição da água para abastecimento público e a gestão das águas residuais e do saneamento ao monopólio da Águas de Portugal, que já domina mais de metade dos concelhos do país.
Nesta Conferência de Imprensa usarão da palavra o deputado municipal Adelino Coelho, de Castro Verde, bem como candidatos do BE pelo círculo de Beja às eleições legislativas de 27 de Setembro".
Aqui no burgo, AMAGIA de transformar àgua em dinheiro, nem Jesus Cristo teve tal dom, apenas conseguiu transfor água em vinho...

àguas de caminho aberto...


Em Beja, o Bloco de Esquerda denuncia "PCP, PS e PSD abrem caminho à privatização das Águas no Alentejo" segundo comunicado do BE que transcrevo na integra:


A Assembleia Municipal de Beja deu ontem "luz verde" à Parceria entre 23 municípios da Alentejo e a "Águas de Portugal", no seguimento da sua aprovação em reunião de Câmara de 24 de Junho.

Surpresas não houve, talvez algumas curiosidades...

- O líder da bancada da CDU, Rodeia Machado, apresentou-se como o mais ardente defensor desta Parceria, chegando ao ponto de dizer que nem era necessário ela vir à Assembleia Municipal por se tratar duma competência exclusiva da Câmara. Devemos-lhe estar gratos por tanta benevolência...

- O Presidente da Câmara, Francisco Santos, para acalmar os espíritos inquietos, fez uma ADENDA ORAL à Parceria, precisando que ela abrangia apenas a água e saneamento "em alta". A verdade porém, é que a Cláusula 1ª da Parceria é muito clara: "Os Municípios decidem agregar parte dos respectivos sistemas municipais de abastecimento de água para consumo público e de saneamento de águas residuais urbanas num sistema territorialmente integrado de águas (...)"Nada no texto (cuja leitura integral aconselho) limita o âmbito da Parceria à distribuição de água "em alta". E não se trata duma omissão ingénua que possa ser suprida por uma "adenda oral" de um Presidente de Câmara que, aliás, iria alterar o texto em apreciação nos outros 22 municípios.

Francisco Santos insistiu em que, se a Águas de Portugal for privatizada (e alguém duvida que o será, mal a bolsa recuperar?) os municípios poderão anular a Parceria e recuperar os investimentos entretanto feitos, a preços de mercado... Como é que tal seria possível na situação de aperto financeiro em que a esmagadora maioria das Câmaras se encontra? Isto se 23 municípios (de diferentes cores políticas) se conseguissem entender, pois cada um deles é um anão perante o monopólio da Águas de Portugal...

- O vereador do PSD, João Paulo Ramoa, desta vez foi autorizado pelo Presidente a usar da palavra para se congratular por esta Parceria com a Águas de Portugal. E, convenhamos, o PSD é o grande triunfador ideológico e económico deste processo. Mas não vale tudo, senhor vereador.João Paulo Ramoa minimizou o facto de três anexos da parceria estarem literalmente em branco - e são eles "apenas":I – Solução Técnica Global; II – Infra-estruturas e equipamentos a afectar à Parceria;IV – Pressupostos do Estudo de Viabilidade Económico-Financeira – do qual depende a fixação das tarifas de água a praticar.Num excesso de entusiasmo que fez lembrar o seu correligionário presidente das Caldas da Rainha, o vereador do PSD chegou mesmo a afirmar que nos estudos de viabilidade económico-financeira, "cada um mete lá o que quiser". A gente já desconfiava, mas tanta franqueza chega a ser comovente...No entanto, o mesmo vereador mostrou-se preocupado por a Câmara querer levar à Assembleia Municipal, em Setembro, algumas alterações ao PDM, frisando que "este tem de ser um processo participado". Percebemos a sua preocupação e até estamos de acordo. Mas a cedência por 50 anos de 51% da gestão da ÁGUA, "o petróleo do século XXI", não exigiria também uma discussão pública participada?- A bancada do PS na Assembleia Municipal, pela voz de Paulo Arsénio, defendeu o adiamento do processo e a marcação duma Assembleia Municipal extraordinária para quando toda a documentação estivesse completa - além da falta dos anexos, um CD fornecido na passada sexta-feira tem vários ficheiros que não abrem... Perante a pressa e a intransigência das bancadas da CDU e do PSD, o PS absteve-se na Assembleia Municipal, o que não inviabilizou o processo.

Curiosamente, na sessão de Câmara, os vereadores do PS votaram por unanimidade (com a CDU e o PSD) esta mesma Parceria, mesmo com os anexos em branco e ainda sem o tal CD.

Felizmente, no seguimento da intervenção do deputado municipal do BE, Adelino Coelho, a Assembleia Municipal de Castro Verde recusou passar um "cheque em branco" e a mesa marcou nova sessão para 6 de Julho. Esperemos que outros municípios sigam este bom exemplo.

Politicamente, em termos democráticos, é inadmissível que se queira impor este FACTO CONSUMADO a três meses das eleições autárquicas de 11 de Outubro.E que estranha coligação esta - CDU, PS, PSD - a pretende passar "como gato sobre brasas" sobre a questão estratégica da água - o PETRÓLEO DO SÉCULO XXI. Se há diferenças de opinião, porque não discuti-las perante os eleitores? Ou não há? Milagres do pensamento único... neoliberal.

Comunicado BE de 30 de Junho de 2009

Será que o Sr. Presidende da CMB ainda acredita que as ÁGUAS DE PORTUGAL não serão privatizadas a médio longo/prazo? haverá tanta ingenuidade por parte do edil? não creio...

sábado, 6 de junho de 2009

votar... em Branco ou Preto?

imagem da net


... até pode ser um voto branco ou preto...
o importante é que não seja colorido.
o importante é penalizar os actuais e passados partidos de governo, mas, também a eterna oposição...


sábado, 16 de maio de 2009

1º meio-festival da Juventude



Beja, uma vez mais inédita.

Desta feita com o 1º meio-festival da juventude.
À entrada no recinto, a segurança diz-me para guardar o bilhete e aguardar o comunicado da CMB, porque hoje não haverá converto...

À saída, o DIOGO DAS FARTURAS - as melhores farturas de Beja, desabafa "...não é a mesma coisa" e que "a malta não se aguanta lá muito tempo..."

Enfim, Beja inédita no 1º meio-festival da Juventude!

Que teremos:
Teremos um comunicado para breve da CMB?
Teremos um vereador do urbanismo a fiscalizar o mobiliário urbano supostamente danificado pela juventude?
Teremos aproveitamento político por parte da CAPITAL do meio-festival ou da meia-Juventude?
Duas coisas são certas:
1. hoje não teremos concerto BURAKA!
2. um festival sem cabeça em Beja.

ultima hora: o comunicado da CMB em http://www.festivaldajuventude.com/

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Politica do Séc. XXI

... alguns pré-requisitos para os politicos do Século XXI.

nu e cru! é a triste verdade...

imagem da net


... um de opinião de Mário Crespo sobre o papel dos partidos politicos em Portugal, no passados anos 80 era às "escuras" hoje à luz dos olofotes da Assembleia da República...


Aqui o bloco não é central mas sim GLOBAL!
Segue texto integral,

"... Nada no mundo me faria revelar o nome de quem relatou este episódio. É oportuno divulgá-lo agora porque o parlamento abriu as comportas do dinheiro vivo para o financiamento dos partidos. O que vou descrever foi-me contado na primeira pessoa. Passou-se na década de oitenta. Estando a haver grande dificuldade na aprovação de um projecto, foi sugerido a uma empresária que um donativo partidário resolveria a situação. O que a surpreendeu foi a frontalidade da proposta e o montante pedido. Ela tinha tentado mover influências entre os seus conhecimentos para desbloquear uma tramitação emperrada num labirinto burocrático e foi-lhe dito sem rodeios que se desse um donativo de cem mil Contos "ao partido" o projecto seria aprovado. O proponente desta troca de favores tinha enorme influência na vida nacional. Seguiu-se uma fase de regateio que durou alguns dias. Sem avançar nenhuma contraproposta, a empresária disse que por esse dinheiro o projecto deixaria de ser rentável e ela seria forçada a desistir. Aí o montante exigido começou a baixar muito rapidamente. Chegou aos quinze mil Contos, com uma irritada referência de que era "pegar ou largar". Para apressar as coisas e numa manifestação de poder, nas últimas fases da negociação o político facilitador surpreendeu novamente a empresária trazendo consigo aos encontros um colega de partido, pessoa muito conhecida e bem colocada no aparelho do Estado. Este segundo elemento mostrou estar a par de tudo. Acertado o preço foram dadas à empresária instruções muito específicas. O donativo para o partido seria feito em dinheiro vivo com os quinze mil Contos em notas de mil Escudos divididos em três lotes de cinco mil. Tudo numa pasta. A entrega foi feita dentro do carro da empresária. Um dos políticos estava sentado no banco do passageiro, o outro no banco de trás. O da frente recebeu a pasta, abriu-a, tirou um dos maços de cinco mil Contos e passou-a para trás dizendo que cinco mil seriam para cada um deles e cinco mil seriam entregues ao partido. O projecto foi aprovado nessa semana.


Cumpria-se a velha tradição de extorsão que se tornou norma em Portugal e que nesses idos de oitenta abrangia todo o aparelho de Estado.
Rui Mateus no seu livro, Memórias de um PS desconhecido (D. Quixote 1996), descreve extensivamente os mecanismos de financiamento partidário, incluindo o uso de contas em off shore (por exemplo na Compagnie Financière Espírito Santo da Suíça - pags. 276, 277) para onde eram remetidas avultadas entregas em dinheiro vivo.
Estamos portanto face a uma cultura de impunidade que se entranhou na nossa vida pública e que o aparelho político não está interessado em extirpar.
Pelo contrario. Sub-repticiamente, no meio do Freeport e do BPN, sem debate parlamentar, através de um mero entendimento à porta fechada entre representantes de todos os partidos, o país político deu cobertura legal a estes dinheiros vivos elevados a quantitativos sem precedentes.
Face ao clamor público e à coragem do voto contra de António José Seguro do PS, o bloco central de interesses afirma-se agora disposto a rever a legislação que aprovou. É tarde.
Com esta lei do financiamento partidário, o parlamento, todo, leiloou o que restava de ética num convite aberto à troca de favores por dinheiro. Em fase pré eleitoral e com falta de dinheiro, o parlamento decidiu pura e simplesmente privatizar a democracia. "
Mário Crespo, JN, 11-Maio-2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

falar por código...

Não sei porque diziam que dizem que é de ouro, quando nem lata vale.
... isso de falar por códido é habitual desde há muito, parece.

Menino de Ouro

de camisa aberta...

Eduarda Maio

Hoje ao ler o artigo de opinião de Mário Crespo publicado no JN e edição on-line em http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo, confesso que não sabia que titulo dar a este post, eram tantas as possibilidades que dificulta a escolha, desde "reacção governamental" passando a pelo "efeito para potenciar a mensagem do governo" não olvidando a "campanha anti-sindical" mas os titulos com mais força eram "a rua já grita" optei por dar a este post o titulo "de camisa aberta" depois de ouvir alguém numa estação de rádio a discutir sobre o caso "provedor de justiça"... depois do menino de oiro é a vez da menina de camisa aberta.

Na Integra artigo de opinião daquele que deve ser um exemplo a seguir pela classe jornalistica - Mário Crespo -, seria bom que a imprensa aqui do burgo ouvissem e lessem mais MÁRIO CRESPO, um exemplo de isenção ao serviço da informação por excelência!

"O caso de Eduarda Maio surpreende pela crueza. O conteúdo manipulatório do anúncio da subdirectora de Informação da RDP tem uma falta de sofisticação que é irritante. Com total despudor, os principais centros de indústrias de cultura do Estado coligaram-se para dar ressonância à reacção governamental ao protesto.
Sócrates considerou as manifestações de rua politicamente manipuladas. Dias depois do pronunciamento do primeiro-ministro, RTP e RDP, em total sinergia, acrescentam um efeito adicional para potenciar a mensagem do chefe do Governo: manifestações de rua são incómodas e atrasam a vida a quem quer trabalhar. São manifestações "contra" quem "quer chegar a horas", acaba a dizer uma das mais altas responsáveis da informação do Estado em Portugal. Esta afirmação de Eduarda Maio não é feita num comentário a notícias do dia, num editorial ou num espaço de opinião, o que seria trabalho jornalístico legítimo.
A propaganda anti-sindical surge toscamente disfarçada num spot promocional da Antena 1, transmitido pela RTP. Face a isto, é muito difícil ao Governo socialista dizer que não interfere na informação prestada pelo Estado. As dúvidas sobre a postura jornalística de Eduarda Maio depois do seu divertido panegírico "Sócrates o Menino de Oiro" dissipam-se com esta participação na urdidura de marketing político em que se confronta a legitimidade do protesto com o slogan da ditadura que a melhor política é o trabalho.
Este último incidente denuncia que a deriva totalitária do regime atingiu em quatro anos um descaramento intolerável para a democracia parlamentar, mesmo desnaturada por uma maioria, que a nossa cultura/incultura política provavelmente não comporta. Assim, usando a legitimidade eleitoral como uma espécie de carta branca para a bizarria, órgãos de Estado desdobram-se em propaganda e repressão que trouxeram a desordem ao sector público e a insegurança ao sector privado. Nesta maneira de estar no poder de José Sócrates, os pseudópodes da criatura maioritária vão cobrindo tudo com um manto de opacidade e intimidação que deforma e perverte.
As reformas conduzidas pelos mesmos chefes do antigamente, sobre quem a bênção socialista terá feito descer o espírito da modernidade, exigem seguidismos amorfos e ameaçam com processos disciplinares e degredo os dissidentes. Este é o Estado como Sócrates o vê em período eleitoral: com aumentos para funcionários quando o resto do país vai para o desemprego e com mordaças disciplinadoras e o quadro de excedentes para os rebeldes. Mas agora que as dúvidas são muitas e a rua já grita, não basta silenciar os números do descontentamento porque eles estão à vista. É a altura do contra-slogan. Tal como a Emissora Oficial no passado, RDP/RTP prestam-se uma vez mais à tarefa de defender regimes à custa de propaganda pensada e executada com o mesmo zelo com que o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo "Rádio Moscovo não fala verdade". O título deste programa da era de Sócrates é: A CGTP não deixa trabalhar. Como sempre, apresenta-o a Direcção de Informação da RDP."

domingo, 22 de março de 2009

A salvação...

Na primeira página do jornal RECORD a manchete "Lucilio salva Quique" assim vai o mundo desportivo - um espelho de um país - onde uns estão a maios, outros estão... podres, outros ainda consideram o resultado justo... enfim um retrato do portugal do pequeninos onde a ausência de verdade é vista com naturalidade, onde aquilo que é não quer dizer obrigamente que tenha de ser assim.
No passado houve gente com azia e agora? haverá consciência tranquila? Haverá humildade para reconhecer e assumir as consequência dos erros?
Será que os errantes aproveitam esta oportunidade para crescerem ou ao contrário reduzem-se ao seu tamanho?

sábado, 21 de março de 2009

cor podre ou ausência de verdade desportiva?


A SIC transmitiu hoje mais um "derby" entre o Sporting e o outro, o Sporting teve mais oportunidade de jogo, jogou melhor, marcou, teve uma atitude em campo... mas como isso é muito a equipa de arbitragem brindaram o Sporting com o mais decarado "roubo" a favor da outra cor.
Uma vez mais, a ausência de verdade desportiva nas quatro linhas...
... Sócrates já nos nos habituou a este tipo de injustiça, não sendo uma campanha negra é uma cor podre!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Negra ou cor de burro quando foge?

imagem da net

Vasco Graça Moura, em mais um excelente artigo de opinião no Diário de Noticias que transcrevo quase na totalidade:

A cada dia que passa, José Sócrates revela as suas fragilidades confrangedoras: é um político mal preparado e enviesado, capaz de má-fé e de manipulação sem limites, arrogante e vaidoso até se dizer chega, sem nenhuma espécie de consistência ou densidade.
Sempre que faz uma alusão a Manuela Ferreira Leite, mistura alhos com bugalhos e não tem escrúpulos em distorcer o sentido de coisas que ela tinha dito. Não se pode contar com ele para um debate sério e muito menos para um combate político leal. Isto, sem falar na falta de originalidade com que capricha em imitar servilmente as inanidades proferidas pelo seu homem de mão Augusto Santos Silva, apaniguado que passa a vida a acusar os adversários de um vazio de ideias do mesmo passo que demonstra que não está propriamente cheio delas.
O primeiro-ministro, rodeado por medíocres criaturas de indefectível servilismo, tem uma fatal vocação para desgovernar, duvidoso mérito emparelhado com medidas e promessas de "retorno absoluto garantido" sistematicamente furadas, entre mentirolas bombásticas e desculpas de mau pagador.
No último congresso do Partido Socialista, ele invocou matérias transcendentes, de suculenta e decisiva importância nacional, que o impediam de se deslocar a Bruxelas para participar na reunião informal de chefes de Estado e de Governo, retendo-o no meigo rebanho dos correligionários que tão acrisoladamente vai pastoreando. Pois aquelas matérias de coturno sublimado revelaram-se afinal tão obviamente "cagativas" que bastou um simples apagão para serem varridas de vez da ordem de trabalhos do conclave.
...
Faz dó. O PS tornou-se um partido cabisbaixo. E com o PS, o Estado português tornou-se calaceiro e caloteiro. O QREN vai com dois anos de atraso. O funcionamento da justiça pede meças à eternidade. O pagamento das dívidas do Estado às PME continua em ponto morto. Os nomes de amigalhaços e compadres surgem em constelação tentacular, ligados a negociatas e tranquibérnias. As iniciativas sérias, viáveis e eficazes, adequadamente dimensionadas para a natureza e gravidade dos problemas, continuam sem aparecer.
É o Portugal da meia bola e força no melhor das suas águas turvas: umas mediocridades absolutas, umas banalidades sem remédio, uma chocante falta de rigor, uma política trapalhona, uma manipulação permanente e videirinha, umas espertezas saloias, uma teia de rabos-de-palha ainda muito longe do esclarecimento necessário.
Sócrates está-se marimbando solenemente para tudo o que não seja a promoção desenfreada da sua enfatuada pessoa e a sua própria campanha eleitoral.
Incompetente para propor e desencadear quaisquer soluções sérias para o desemprego, a economia, a insegurança, a justiça, a educação, a saúde, etc., etc., é então que se lembra de introduzir o tema da campanha a que chama negra.
Ora quem tanto se autovitimiza com essa rábula da "campanha negra" fica reduzido a fazer, por sua vez, uma campanha cor de burro quando foge. Confere.

http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1174398&seccao=Vasco%20Gra%E7a%20Moura&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

quinta-feira, 19 de março de 2009

dizem que é: uma sessão de trabalho


Hoje em Beja, pelas 21h30, numa das unidades hoteleiras, irá haver uma sessão de trabalho de uma candidatura à presidência da CMB, segundo serviço noticioso http://www.radiopax.com/noticias.php?d=noticias&id=5485&c=1, uma sessão de de trabalho que "reunião cerca de 150 pessoas"...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Cultura de responsabilização precisa-se!

Imagem da net

Mário Crespo, no seu artigo de opinião ao Jornal de Noticias que aqui transcrevo na integra chama-nos à atenção que nem ao mais alto cargo existe a cultura da responsabilização independentemente o PR possuir poderosissimos instrumentos para a resolução dos problemas dos seus concidadãos...

Como disse, na integra o artigo:

"Ouvir dizer ao mais alto nível do Estado que não há soluções para o horror do desemprego é ouvir dizer que o Estado faliu. Meia centena de trabalhadores despedidos de fábricas em Barcelos e Esposende tiveram essa experiência de anticidadania. Numa visita, o presidente da República foi confrontado com um grupo de desempregados que empunhavam cartazes pedindo ajuda. Foi ter com eles e disse-lhes que não tinha nenhuma solução para os seus problemas.
Para um chefe de Estado é proibido dizer isso aos seus concidadãos e depois embarcar num carro alemão de alto luxo e cilindrada, acenando, apoquentado, aos que nada têm.
É isso que faz querer que os ricos paguem as crises.
Só se é chefe de um Estado para trabalhar na busca de soluções e encontrá-las. Sem isso não se é nada. Ser presidente em Portugal não é um cargo ritual. O presidente tem nas mãos ferramentas poderosas para influenciar o destino do país. Pode nomear e demitir governos, chamar agentes executivos e executores, falar aos deputados sempre que quiser, reunir conselheiros, motivar empresários, admoestar ministros e deve, sobretudo, exigir resultados. Ser chefe de Estado em Portugal inclui poderes executivos, e como tal, ter responsabilidades de executivo. Ao dizer que não tem soluções para as vítimas do descalabro que há três décadas estava em gestação no país onde ocupou os mais elevados cargos, o presidente da República dá à Nação a mensagem de que nem ao mais alto nível há o sentido da responsabilidade nem a cultura de responsabilização.
Ao dizer aos desempregados de Barcelos que nada pode fazer, o presidente diz a todo o Portugal que o Estado e o seu sistema não são mais do que um imenso círculo de actores autodesresponsabilizados que vão passando a batata-quente de uns para os outros. Depois destas declarações aos desempregados, o célebre letreiro "The Buck Stops Here", que Roosevelt tinha na sua secretária, não tem lugar na mesa de trabalho do presidente português. Com esse letreiro, que equivale a dizer que a batata-quente não passa daqui, Roosevelt lançou as bases da maior economia do Mundo das cinzas da grande depressão. Em Portugal, na maior depressão de sempre, o presidente diz que não tem soluções. Devia tê-las. Aníbal Cavaco Silva desde Sá Carneiro que participa no Governo. Dirigiu executivos durante a década em que Portugal teve a oportunidade histórica de ter todo o dinheiro do Mundo para se transformar num país viável. Mesmo com a viabilidade da economia questionada, Cavaco Silva, como profissional que é, regressa à política com uma longa e feroz luta pela presidência da República. Assumiu-se como a "boa moeda" que conseguiria resistir às investidas das "más moedas",
na sua cruel pedagogia da Lei de Gresham, que foi determinante para aniquilar um governo do seu próprio partido e dar-lhe a chefia do Estado.
É um homem de acção impiedosa e firme, quando a quer ter.
Se o pronunciamento que fez de não ter soluções para esta crise foi uma tentativa de culpabilizar só o Governo, então foi de um insuportável, mas característico, tacticismo. Se foi sincero, então foi vergado pelo remorso, e anunciou que a sua longa carreira de político e de homem público chegou ao fim.

domingo, 15 de março de 2009

O cancro deste século


Joe Berardo, imagem da net

Um dos homens mais ricos de Portugal, Joe Berardo fala das “responsabilidades sociais” e do “dinheiro virtual” do “ataque à libra em 1992” impulsionado pela “ganância em fazer mais dinheiro…”
Reconhece que as off-shores são "o cancro deste século".
Joe Berardo possui uma fortuna avaliada pela FORBES em mais de 10 milhões de dólares “não gosta de estragar dinheiro…” mas não prescinde da “Fundação”.. que “fazer o bem” e fá-lo “pela cultura” afirma.
Detentor de uma importante colecção de arte moderna e contemporânea – Colecção Berardo – avaliada à 3 anos em 316 milhões de euros.
Não concordando com a legislação laboral deixa algumas sugestões ao Governo, aos investidores, aos trabalhadores.
Joe Berardo critica ainda os sindicatos pela não modernização na forma de agir e pensar dos sindicatos afirmando que os sindicatos “ ainda pensam no tempo de Salazar”.
Ouvir as palavras de Joe Berardo, hoje para mim, foram como ver uma das exposições da Colecção Berardo, uma abertura, uma clareza, um estímulo, uma consciência e um exemplo que muitos deviam seguir.

Em Beja, a única colecção que temos é a colecção de mandatos do PCP ao longo deste 35 anos após o 25 de Abril.

Aqui em Beja de Hoje o poder autárquico comportam-se como os sindicados - pensam no tempo de Salazar, ou pior um pouco – desejam que o tempo regrida até esse tempo!
Beja precisa de uma mente aberta, livre, consciente e desperta – que faça o bem PELA CULTURA.

Para ler e ouvir entrevista Correio da Manha/RCP em http://www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=30C78BB8-DE16-428C-99E5-235C517F2E11&channelid=00000229-0000-0000-0000-000000000229

sábado, 14 de março de 2009

Uma situação inédita

Teixeira dos Santos e Vitor Constâncio, imagem da net


No semanário SOL dá a noticia http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=128861 de que Teixeira dos Santos - o actual Ministro das Finanças - irá subsituir Vitor Constâncio no Banco de Portugal...

Acho muito bem que Vitor Constâncio deve sair do Banco de Portugal... e já vai tarde, deve mesmo antecipar a sua saída o quanto antes - , depois de ter "mexido os cordelinhos" para que fosse possivel um segundo mandato à frente do Banco de portugal...

Por outro lado "... a passagem directa de um ex-ministro das finanças para o lugar de Governador do Banco de Portugal" faz-me lembrar as dinastias, onde o lugar de um é 'ocupado' pelo seu mais directo descendente consanguinário...

Será possivel que a classe dita 'politica nacional' não vê a urgência de que os lugares não são casas dum tabuleiro de xadréz?
É inédito, Portugal no seu melhor sem vergonha nem pudor!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Governar um cidade...


"Governar uma cidade é assumir o sentido da sua História, dar sentido ao seu projecto colectivo e dar sentido à vida das pessoas." é assim que Pedro Santana Lopes se refere "POR UMA LISBOA COM SENTIDO".



"O sentido da Democracia só existe quando as palavras não são ditas ou escritas em vão. Principalmente, no momento nobre de uma eleição."


Pois é, independentemente da filiação politico-partidária Pedro Santana Lopes, este tem para Lisboa uma visão estratégica, apresenta projectos, mobiliza pessoas e mais importante que tudo estimula à livre participação dos cidadãos.


Nas propostas de PSL é visivel a verdadeira e pura prática politica na gestão de recursos existentes promovento um maior e melhor bem-estar das pessoas.


Aqui no burgo o sentido é o mesmo, há mais de 30 anos. e nos últimos 4 ainda tem sido mais vincado... seguir segamente as indicações do CC do PCP, recusando-se a debater, confrontar ideias e projectos, a surdez em ouvir ideias...


Beja de Hoje precisa e vai ter (ao que tudo indica) de uma candidatura à Presidência da CMB que devolva a Cidade os cidadãos, que promova uma efectica fixação de jovens, de empresas e que não continue neste marasmo que que se encotra.


A candidata que aparecer como independente, independentemente da sua familia partidária, merece e irá ter (o meu apoio incondicional) no confronto de ideias e projectos, espero que a esta corrente muitos e muitas mais se juntem!


O futuro da nossa cidade é o nosso fururo! não o deixemos que morra...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Duas opções, nestas eleições

imagem da net

Em mais um excelente artigo de opinião - de Mário Crespo públicada dia 9/3/2009 no Jornal de Noticias - sobre as duas opções nestas três leições, qualquer escolha é 'arriscada' e onde o "quase mutismo dos partidos do bloco central de intreresses e às questões colocadas os inquiridos "respondem sempre que não se lembram dos pormenores..." à boa maneira de Richard Nixon...
Mário Crespo escreve "nos próximos processos eleitorais só há duas opções. Ou votam Freeport ou votam BPN, sendo ambas arriscadas... a mais incerta, nesta altura, ainda é o BPN.
... apesar das monstruosidades já apuradas os dois grandes partidos da democracia portuguesa anulam-se em silêncios... enquanto CDS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português mantêm a pressão que tem empurrado os declarantes para a velha táctica de defesa ensinada por Richard Nixon aos seus cúmplices no Watergate. "Respondam sempre que não se lembram dos pormenores. Nunca se auto-incriminem. Nunca prestem informação voluntariamente.
... em qualquer das três eleições, um voto no BPN pode equivaler a apoiar algo que ainda está de facto por explodir, mas que explodirá quando Nuno Melo, João Semedo ou Honório Novo chegarem à fase de indagar sobre a participação dos serviços do BPN em processos eleitorais do passado-presente.
... vota-se Freeport ou BPN? O voto no BPN já se sabe quanto nos custou... os portugueses já desembolsaram 1,8 mil milhões de euros para pagar as megalomanias de dois membros do núcleo duro político do actual presidente da República.

O voto no Freeport ainda não se sabe quanto vai custar. De facto, até há o aspecto estranhíssimo do Freeport ser um completo e assumido desastre comercial. Para quê, então, gastar tanto milhão a alterar uma reserva da natureza que era, por ordenamento, inalterável? Era bom fazer esta pergunta antes do Freeport implodir para tentar compreender o que é que virá depois da implosão. Pelo sim pelo não, enquanto não houver respostas, acho que é altura de fugir destas grandes superfícies, senão acabamos esmagados por elas.

Portugal é de Todos

http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/especiais/25-abril-portugal-e-de-todos/

Uma excelente inicitava Expresso, Visão, Sic e aeiou - Portugal é de Todos.
Serão os nossos dirigentes politicos da mesma opinião? Que fará o Governo com este instrumento de trabalho? ...e o poder local? saberão ler os sinais da sociedade?
Em Beja, o burgo ainda é do PC... até quando? Espero que por pouco tempo...

terça-feira, 10 de março de 2009

Que país é este?

Medina Carreira ontem à noite em apenas 30 minutos deixou-nos um diagnóstico triste mas real.



Aguém ouviu?

segunda-feira, 9 de março de 2009

JPV vs FS: animais políticos ou politica ao quadrado

O confronto político já começou, segundo comunicado divulgado em http://www.radiopax.com/noticias.php?id=5348&pageNum_noticias=0&d=noticias&c=1.

Do lado rosa, até ao momento, são levantadas questões pertinentes...

Do lado vermelho, azul, verde ou de outra cor qualquer veremos se os meus camaradas serão honestos o suficiente e dizer a verdade... sem ofensa nem peixeirada, nem politica de quintal...

Os Socialistas sabem que este é de facto o pior mandato do PCP na CMB desde 1974...

Terão os meus camaradas consciência deste facto?... Ou teremos o PCP a dizer que vai promover a mudança... que se os outros ganharem é o fim do mundo... blá blá blá, com as ameaças do advento do fim do mundo.

Nestas eleições, uma coisa posso garantir, ao contrário de 2005 - Francisco Santos não terá o meu voto nem o meu apoio!

Espero que apareçam mais candidaturas, confesso que aguardo pela confirmação ou não da pessoa que se fala que irá encabeçar a lista do BE à Presidência da CMB, sabido que Alberto Matos não o será, será o Bloco de Esquerda - ainda com sangue jovem na veias - o verdadeiro e único promotor da mudança política aqui do burgo?...

domingo, 8 de março de 2009

Eleições, Manuel Alegre I

Manuel Alegre em declarações ao Expresso quebra o silêncio.
Diz "Se a lei deixasse avançava com candidatura MIC às legislativas" 2009.
Manuel Alegre revela a vontade - entenda-se interesse - de Socrates de o ter no seu lado nas legislativas deste ano...

Manuel Alegre sabe qual é o seu "quadrado" na esfera politica nacional...



P - Já houve notícias de pelo menos duas reuniões suas com José Sócrates. Estão a tentar chegar a um entendimento para as legislativas?
R - Há uma vontade do secretário-geral de que isso aconteça. E há uma reflexão minha sobre isso.
P - A iniciativa partiu dele?
R - Estas coisas devem fazer-se sem vencedores nem vencidos. Há uma partilha de vontades. Mas não fui eu que tomei a iniciativa.
P - Já afirmou que, nessa discussão, não é uma lógica de mercearia que está em causa, mas uma questão de princípios.
R - O princípio fundamental é o reconhecimento do espaço próprio que eu represento, saber se isso é ou não compatível com uma relação com o PS. Sem abdicar de valores como a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, os serviços públicos a funcionar de acordo com uma lógica de interesse geral e não de parcerias público-privadas. Se isso for respeitado é possível conversar.
P - Para Sócrates aceitar essas condições tem de renegar o que tem vindo a fazer no Governo.
R - Não se trata de condições, trata-se da verdade! Não exijo que o Governo se renegue. Não quero é renegar-me a mim mesmo. Não pretendo fazer o programa de Governo, mas gostaria de ter alguma participação e mudar algumas políticas do Executivo.
P - Porque é que Sócrates haveria de ceder-lhe?
R - Não se trata de ceder. Trata-se de vontade e inteligência políticas: saber se, apesar de todas as diferenças, há ou não possibilidade de convergência.
P - Se essa convergência acontecer não é apenas por uma lógica aritmética, porque Sócrates faz as contas e sabe que o seu apoio lhe pode custar (ou valer) a maioria absoluta?
R - Isso ninguém sabe. A política é sempre uma relação de forças.
P - Esse entendimento pode vir a traduzir-se num grupo parlamentar dentro do grupo parlamentar?
R - (Silêncio). Tem de ter alguma tradução, mas não lhe chamaria assim. Essas conversas são muito complicadas e não quero fazer diktats a ninguém. As coisas têm de ser feitas com muita dignidade recíproca.
P - Se se entender com Sócrates. a restante esquerda fora do PS vai compreender isso?
R - Quem conversa comigo conversa com o militante do PS, a referência histórica do PS. É uma das minhas debilidades e uma das minhas forças.
P - A sua permanência no PS não está, portanto, em causa?
R - Eu estiquei a corda quase até ao limite. Dentro e fora do PS. Mas não posso eu sozinho ser a convergência da esquerda. Não é meu propósito nem minha vontade. A não ser que me forcem a isso. Um partido é um instrumento, não é um fim em si.
P - Vamos voltar a vê-lo na AR na próxima legislatura?
R - Isso não depende só de mim.
P - Vai fazer campanha ao lado de José Sócrates?
R - Neste momento não sei. Não estou a fazer tabu nem estou a ser ambíguo.
P - Gostava de ser presidente da AR?
R - Gostaria de ter sido em 2004. Agora não. Não ia entrar na mercearia de disputar isso com Jaime Gama, que considero politicamente. E ser presidente da AR seria uma mordaça de luxo, quando eu não me retirei do combate político, continuo a lutar por mudar as coisas no PS, na esquerda, na democracia - que está a ser confiscada por gente medíocre que se apoderou dos partidos.
P - E candidato presidencial em 2011?
R - Não está nos meus planos, como não estava em 2006 e de repente aconteceu. O inesperado pode sempre acontecer. Mas não está na minha agenda nem nos meus planos.
P - Há uma expectativa em relação ao que poderá vir a fazer.
R - Há uma grande abdicação cívica em Portugal. Já havia no tempo do fascismo. E quando isso acontece depositam-se as esperanças em duas ou três pessoas. Às vezes numa só. Isso não me obriga a fazer o que outros querem que eu faça. Com a minha candidatura presidencial surgiu uma nova esperança, um novo espaço político com expressão orgânica e não orgânica, dentro e fora do PS. Para mim é fundamental que a direcção do PS reconheça esse espaço. Se o fizer, óptimo, se não ...
P - ... O que acontece?
R - Veremos. As coisas têm a sua lógica. Eles sabem que este espaço existe, que teve expressão nas urnas. Alguns receiam até que tenha outra vez expressão em qualquer coisa.
P - E é um receio infundado?
R - O que vou fazer depende muito de questões políticas, não de questões pessoais. Não tenho nenhuma razão de queixa pessoal dos dirigentes do PS. Tenho é outra concepção do que deve ser a estratégia do PS e uma política de esquerda - não percebo que se faça um congresso de viragem à esquerda em que se elege como inimigo principal a outra esquerda e até a esquerda do partido! Suponho que, se não houver maioria absoluta, estão abertos a coligações com o PSD ou com o CDS.
P - Se os movimentos de cidadãos pudessem candidatar-se ao Parlamento avançava com o MIC já nas próximas legislativas?
R - Avançava.
P - Contra o PS?
R - Contra o statu quo e a favor de uma renovação da democracia. E se calhar criando condições para a renovação do próprio PS. Um dos meus objectivos políticos de reforma institucional é a possibilidade de cidadãos se poderem candidatar ao Parlamento.
P - E ‘não se faz um partido como quem faz um fato’ ...
R - Era muito fácil arranjar aí umas listas para uma votação negativa, de protesto. Mas isso não faço. Não sou um aventureiro político. Mas há uma lacuna na esquerda na Europa. Mário Soares fala da esquerdização do mundo. Era bom que ele falasse da esquerdização, ou não, do PS e da nossa democracia. Mas disso ele não fala. Diz é que a convergência atrapalha!
P - Os ataques (de Sócrates. mas sobretudo de António Costa) ao Bloco de Esquerda, durante o Congresso. não auguram convergência
R - Esse discurso não tem lógica; o que devia era haver um entendimento em Lisboa. Ser presidente da Câmara de Lisboa é mais importante que ser o número dois do PS. Mas ele lá sabe. Chocado com a entronização de Sócrates, Alegre recusa alinhar nessa festa: "Não é uma festa, é um enterro", E lamenta que Soares o faça
P - Os seus camaradas vão perdoar-lhe dizer ao Expresso o que não lhes foi dizer a Espinho?
R - Espinho foi um congresso de uma nota só. Isso é perigoso, quer para o PS, quer para José Sócrates. Quando isso acontece é porque a pessoa está só, mais só do que parece, apesar dos apoios todos. Estou à vontade para o dizer porque não sou dependente, nem dele, nem de ninguém e talvez até seja capaz de compreender melhor a solidão dele do que muitos que lá foram bater-lhe palmas. Talvez ele precise de falar mais comigo do que com alguns dos seus indefectíveis. Sabe que lhe digo o que penso e não tenho nada a pedir.
P -As directas deram cabo dos congressos?
R - Fui das primeiras pessoas, senão a primeira, a defender as directas. Aliás, sou por uma abertura ainda maior, sou mais favorável a eleições primárias, à americana. Isso permitiria uma reforma dos partidos, se é que eles são reformáveis. A crise pode ter consequências muito profundas do ponto de vista social e se os partidos não se reformam os próprios processos sociais vão provocar o aparecimento de novos sujeitos políticos, à esquerda ... ou à direita. E a democracia pode ficar em risco.
P - Mas ainda é possível salvar a democracia com os partidos?
R - Os partidos não esgotam a democracia. Até a podem estragar. Sempre fui renitente em relação à lógica partidária. Mesmo na clandestinidade, fui um homem do partido por força das circunstâncias históricas, mas fui sempre um rebelde. As pessoas devem preocupar-se, a começar pelos líderes, com este fenómeno de os partidos se transformarem na entronização de um líder, seja ele qual for. É o grau zero da política, da discussão, da ideologia. Neste congresso nem a moção do secretário-geral foi discutida!
P - O editorial do "Público", na segunda-feira, dizia que há mais debate num congresso do PCP do que o que houve em Espinho.
R - Não me admira. O PCP tem os seus debates, segundo as suas regras próprias, mas tem-nos. O que se discutiu em Espinho? O desemprego, as falências, a fractura social, a justiça?
P - Há falta de debate no PS porque "há medo", como alertava Edmundo Pedro?
R - O Edmundo falou nisso, mas depois parece que ele próprio ficou com medo de ter dito que havia medo. Uma coisa extraordinária vinda de um homem que nunca teve medo e esteve dez anos no Tarrafal! Já lho disse. Não acho que Sócrates mande calar ninguém, que alguém no PS mande calar quem quer que seja. Mas porque é que as pessoas se calam? Posso perceber o comportamento de alguns, que criaram dependências do partido. Não percebo o de outros. Eu sei que se fosse lá punha o congresso de pé. Mas não sou um animador de congressos.
P - Não é o Santana Lopes do PS?
R- Não, não sou. Com todo o respeito e consideração pela pessoa, somos muito diferentes. Mário Soares empregou esta semana uma expressão muito infeliz. Comentando que as notícias do congresso viveram da expectativa se Manuel Alegre ia lá fazer uma 'peixeirada' ou não. Gostaria de saber se aqueles discursos que eu fiz e o ajudaram a ganhar alguns congressos (sobretudo o primeiro) também entram na categoria de 'peixeirada'. E fico muito preocupado por ver o modo como o fundador do PS, um homem que sempre se bateu pelo pluralismo, pela democracia, contra congressos unanimistas, se pronunciou acerca deste congresso. O país está muito doente quando uma pessoa com a responsabilidade histórica e política de Mário Soares diz, como disse, que não sabe o que seria do PS sem Sócrates.
P - Está confiante no papel da UE na resolução desta crise?
R - Concordo com Mário Soares quando ele diz que há uma falta de líderes na UE. Há egoísmos. Houve durante muito tempo subordinação à política norte-americana. Durão Barroso saltou da conferência dos Açores para a Comissão Europeia. Terá sido por acaso?
P - Ser deputado europeu não o fascinava?
R - Nunca me fascinou. Desde a primeira delegação portuguesa que andaram em cima de mim. Nunca quis. E agora também, devo dizer
P - Foi convidado?
R - Houve gente que me tentou convencer. Mas eu passei 12 anos no exílio. Em Bruxelas não há Sol, não há Sul, não há mar, nem Alentejo.
P - Vital foi uma boa escolha?
R - Foi a escolha do secretário-geral, apresentada ao Congresso. P - Vai votar nele ? R - (Silêncio. Risos)
P - As Europeias vã ser um referendo à governação PS
R - Tendem sempre a ser. Aqui infelizmente, ainda se discute muito pouco a questão europeia e o que vai estar em causa é a política interna.
Cristina Figueiredo, Semanário Expresso
entrevista ao Expresso Manuel Alegre quebra o silêncio
http://www.micportugal.org/index.htm?no=10001296