segunda-feira, 29 de março de 2010

Teatro II

Algumas palavras que merecem ficar registadas sobre o Teatro, alguns factos, mágoas ou tão somente uma crua realidade - a nossa!

No distrito de Beja é raro o municipio que deixou passar em branco o Dia do Teatro - 27 de Março,

o Municipio de Beja, rara excepção, prefere acolher o Congresso sobre o Turismo no Alentejo na casa que é para o Teatro no no dia do Teatro.

A cidade de Beja, melhor dizendo, o poder local de Beja ainda não está, ou pelo menos demosntra não estar ou não ter a clarividência do Teatro na Vida da Cidade e das pessoas que nela habitam ou habitava.

O Teatro como um amigo meu disse um dia "... é aquele bicho que quando entra dentro de nós fica lá para sempre, para sempre..." a simplicidade e profundidade destas palavras...

O Teatro é como alguem disse "onde o amor acontece..." mas é também como olhar para o Sol, ficamos cegos, mas com a alma ilumidada...

Mas o Teatro é também "onde se vive mais intensamente".

O Teatro é a casa de todas as almas e onde tudo é possivel e todos são "bem-vindos" com a liberdade de dizerem o que querem e o que não querem, de sentir, pensar, reflectur, falar, ocultar ou simplesmente respirar a Vida que vive no Teatro.

O novo executivo nada fez para corrigir o velho executivo, pelo menos no que se refere ao Dia do Teatro - 27 de Março

Como será o Dia do Teatro de 2011?

Nota: fique claro que não sou contra o Congresso sobre Turismo no Alentejo nem de qualquer iniciativa que possa atrair pessoas à Cidade, defendo toda e qualquer iniciativa que traga pessoas à cidade porque Beja precisa de Pessoas, Beja precisa de Vida.
Mas, como diz Michael Mayhew Theatre by Theatre.

Teatro I

27 de Março
Dia do Teatro

Em Londres no National Theatre dois especáculos:

as opções foram:

1.
THE POWER OF YES
Yes by David Hare

On 15 September 2008, capitalism came to a grinding halt. as sub-prime mortgages continued to dominate the headlines, David Hare wrote an urgent and immediate work that sought to find out what happened, and why.
Audio- Described performance

Na imprensa inglesa pode ler-se:

"Not only enlightening - financially and psychologically - but biting, witty fun."
New Statesman

“Engrossing... asks questions to which we all went to know the answers.”
Guardian

"It you want to understand the banking crisis, you should go to the Theatre."
Independent, Opinion & Debate

“An exhilarating lecture on the banking crisis… delivered with wonderful clarity, and riveting.”
Sunday Times

"For anyone wanting a dramatic explanation of this crisis, this is a tour de force."
Observer, Business

2.
NATION
based on a novel by Terry Pratchett adapted by Mark Ravenhill

A parallel world, 1860. Two teenagers thrown together by a tsunami that has destroyed Mau’s village and left Daphne shipwrecked on his South Pacific island, thousands of miles from home.

One wears next to nothing, the other a long white dress; neither speaks the other’s language; somehow they must learn to survive.

Following his Dark Materials, Coram Boy and War Horse, the National stage Mark Ravenhill’s exhilarating adaptation of Terry Pratchett’s latest witty and challenging adverture story. Live Music, dance and extraordinary puppets combine to bring to life the world of Nation.
Na imprensa inglesa pode ler-se:
“Will enthral both adults and children alike… who better than Terry Pratchett to have provided the story for the National Theatre’s eagerly awaited family show. The combination of strong narrative, lively moral debate and a real sense of life and death dangers.”
Daily Telegraph
A minha escolha
neste Dia Mundial do Teatro
foi a opção B
mas fica a certeza que na próxima semana vou à opção A

sábado, 27 de março de 2010

a vida da poesia



Hoje sei como se exprime a vida da poesia
com a sinceridade das emoções linguísticas
com que o mundo devasta e enche as nossas vidas

Aprendi a clareza das imagem fictícias
recolhidas na luz do corpo nu e vivo
entre os golpes orais errantes desferidos

Gastão Cruz, in "Campânula"

sobre Gastão Cruz, de seu nome Gastão Santana Franco da Cruz naceu em Faro a 20 de Julho de 1941, é poeta, crítico literário e encenador.

domingo, 21 de março de 2010

Dalaí Lama

pic da net
porque as palavras e sabedoria são para serem partilhadas
Hoje Dalaí lama, amanhã poderá ser as tuas...

quarta-feira, 17 de março de 2010

SUICIDO-ME NAS PALAVRAS, Ruy Belo

SUICIDO-ME NAS PALAVRAS
PAXJULIA Teatro Municipal de Beja
em cena 18_18_20 Março 22h

A arte pública assume, de novo, a divulgação de uma das grandes vozes da literatura portuguesa, nesta performance que cruza a poesia, a música e a imagem.
Trata-se da poesia de Ruy Belo (1933-1978) - homem e poeta com um percurso da maior exigência e rigor ao longo da sua curta vida de 45 anos.
Com uma obra criativa escrita, em grande parte, no Portugal cinzento dos anos sessenta, obrigado, também ele, à emigração-fuga para Espanha; apesar das duas licenciaturas - em Direito e em Filologia Românica - e do doutoramento que, de forma brilhante, defendeu em Roma, em Direito Canónico, com a tese Ficção Literária e Censura Eclesiástica. Nem o Portugal de Abril , ao qual regressa em 1976, será suficientemente aberto ou generoso para acolher dignamente o poeta, o escritor, o professor, que faz do pensar “o maior dos perigos”.
Ruy Belo: uma voz singular, de elevada qualidade especulativa e grande poder inventivo, num encontro cruzado com a ideação musical e videoplástica, em Beja.


E TUDO ERA POSSÍVEL


Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer

Ruy Belo