domingo, 17 de julho de 2011

Silêncios que se ouvem...

Ouvi o ruido das palavras escritas
ouvi o ruido do silêncio ensurdecedor

ouvi o grito da presença ausente
ouvi o vento
ouvi a lágrima perdida da tua ausência

também ouvi perguntarem por ti.

ouvi o cantar das cigarras
Ouvi o apelo dos girassóis

agradeço às cigarras e aos girassóis, ao Sol e à Lua, ao vento e ao mar
mas o tempo que não existe
esse
persite em querer a existir...

bem, abgradeço-te a ti
e à tua memória
o que sou
graças a ti!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Solidões

imagem da net

...

Deixai-me navegar, morosamente, a remos,
Quando ele estiver brando e livre de tufões,
E, ao plácido luar, ó vagas, marulhemos
E enchamos de harmonia as amplas solidões.

Cesário Verde

quinta-feira, 16 de junho de 2011


Soneto do Cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias,
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que os outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão-Ferreira*, in “Obra Poética”


referência fundamental da história da literatura e da cultura do século XX: David Mourão-Ferreira, o autor multifacetado cuja morte se assinala hoje.

David Mourão-Ferreira (24/02/1927-16/06/1996) Poeta, crítico, ensaísta, contista, novelista, romancista, cronista, dramaturgo, tradutor, conferencista, nasce para a literatura em 1945, ano em que publica os seus primeiros poemas na revista Seara Nova.

Considerado o poeta do amor e da mulher levantou o véu à própria complexidade da sua narrativa, sinal de uma paixão madura por um ofício que o permitia olhar no tempo. Sintoma dessa realidade eram os milhares de livros nas estantes da sua casa que integravam o próprio espaço com íntima familiaridade e cumplicidade.

Morreu em 1996, em Lisboa, sem deixar de escrever:

Antes de sermos fomos uma sombra

Depois de termos sido que nos resta

É de longe que a vida nos aponta

É de perto que a morte nos aperta.

David Mourão-Ferreira, Os Ramos e os Remos

preservo ainda hoje um manuscrito onde David Mourão-Ferreira deseja “a realização dos meus sonhos e projectos...



terça-feira, 14 de junho de 2011

cuidado[s] fisico[s] e execução

imagem da net


"... a manutenção de um sítio exige simultaneamente cuidado fisico e a execução de actos que têm por objectivo cuidar do espirito que nele se aloja. Sem estes procedimentos de manutenção, o sitio permanece, mas diz-se que perde o espírito nele contido. Diz-se então que morreu e pensa-see que também morreram todos os que partilham características físicas e conexões espirituais com ele. Assim, para prolongar o bem-estar da vida, os sítios devem ser cuidados e os ritos executados para manter vivos os poderes dos sonhos neles aprisionados."


Helen Payne*

* antropologa, autora de "Rites for sites or sites for rites? The dynamic of women's cultral life in the musgraves, 1989

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa 123

"a minha pátria é a Língua Portuguesa" escreveu FP


Grandes Mistérios Habitam


Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa*

Fernando Pessoa (13 Junho 1888-30 Novembro 1935)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

a porta do mundo

Ó lua faz-me uma trança
P'ra de dia desmanchar
Guarda-me a última dança
Quando o fio se acabar

Gosto de ver o teu rosto
Que a mil caminhos se presta
Para uma noite desgosto
Por uma noite de festa

Voltaria à tua terra
Por um mergulho de mar
Entre a cidade e a serra
Fica algures o meu lugar

Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p'rá vida

Se te fizeres ao caminho
Em horas de arrebol
P'ra fermentar o meu vinho
Traz-me um pedaço de sol

Vamos escrever uma história
Rever um filme a passar
Logo virá à memória
O que eu te queria dar

Será verdade ou mentira
Como um segredo roubado
Sou como a lua que gira
Hei-de dançar ao teu lado
Este mundo não tem porta
Nem uma chave escondida
Por trás de tudo o que importa
Vem um sentido p'rá vida

sábado, 21 de maio de 2011

O QUE É O NADA?


Ontem(21h30), hoje (21h30) e amanhã (16h00)

PAX JÚLIA - Teatro Municipal de Beja

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aeroporto I


Parabéns Município de Ferreira do Alentejo!

Gosto de andar de Barco, de Avião, de Comboio e de Carro...

Hoje, não vou ao aeroporto ver passar O Avião, nem de Borla nem que me pagassem...

Acredito ser fundamental para o desenvolvimento da região a operacionalidade e pleno funcionamento do aeroporto de Beja, confesso ficar surpreendido pela positiva ver o Município de Ferreira a presidir ao arranque do aeroporto...

Numa cidade, Beja, que os decisores políticos não conseguem manter reivindicar a continuação do CIC - Comboio Intercidades - entre Beja/Lisboa...

FMI aterrou em Portugal esta semana, CMB disponibiliza autocarro para ir ver o avião... podiam ter convidado José Sócrates e a Comitiva FEEF e esquecerem-se deles numa ilha deserta..., e já agora, porque não, Passos Coelho, Paulo Portas e outros dirigentes partidários

quinta-feira, 31 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

entre gramas e minutos


imagem da net

21 Gramas
é o titulo do filme (2003) dirigido por Alejandro González Iñarritu.

21 minutos
foi quanto José Sócrates levou reunido com o Presidente da Republica - Cavaco Silva, para apresentar a demissão.

21 é sem duvida o peso da alma e também o tempo que se demora a pedir demissão de chefe do Governo.

terça-feira, 22 de março de 2011

entre

o amarelo há sempre uma flor.

hoje estreia ADORÁVEL CRIATURA



no Paxjulia às 22h


segunda-feira, 21 de março de 2011

a primavera


Sai à rua
olha a lua
respira o teu luar
e
chama-me PRIMAVERA!

quinta-feira, 3 de março de 2011

uns riem-se...

outros dizem A VERDADE.


Guardar pedras


Posso ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Verdade


"... sem verdade, não há arte completa."
A. SCHOPENHAUER

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ralph Waldo Emerson

Ralph Waldo Emerson


"...o livro lançado na fogueira ilumina o mundo."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

tanto?... 6%


Pintura sobre platex 170x220
Noronha da Costa, 2008

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FMI (I)

Em conversas reservadas com amigos, sempre defendi a entrada do FMI, mesmo sabendo que iria ser dos primeiros a sofrer na pele por incompetência dos sucessivos governos...

Cavaco Silva afirmou "se FMI entrar o Governo falhou" como se ainda existisse alguma dúvida?
Alegre apela à suspensão da campanha eleitoral para evitar a entrada do Sr./Sra. FMI, como se isso nos levasse a algum lado...

Teodora Cardoso, Administradora do BdP, a única que não tem qualquer interesse politico-partidária, defende abertamente "pedido ao FMI".

Falta o aparecer o Constâcio a dizer que Portugal está no rumo certo [para o abismo].



"o dinheiro é como o estrume, não presta se não for espalhado."


Francis Bacon, Ensaio

sábado, 8 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

EIU

Aqui, segundo a Economist Intelligence Unit, "zona euro vai evitar o colapso em 2011", mas haverá "momentos desconfortáveis" no processo de resolução da crise financeira e económica...

em Portugal, onde os cidadãos já têm vindo a viver com "longos períodos de austeridade e de fraco crescimento económico".

Em Beja, a ligação directa ferroviária a Lisboa parece estar em risco, os aviões no aeroporto de Beja é uma promessa do executivo municipal, mas como diria Jorge Palma, "ai Portugal Portugal, do que é que tu estás à espera...".

Em Beja, uma estação de rádio anuncia o fim do intercidades BEJA/LISBOA, referindo comunicado da CP.

Na noticia divulgada pela RVP, a referência à automotora electrificada, faz-me lembrar algumas aspirações dos populares de Serpa - há mais de 10 anos - quando estes perderam a ligação ferroviária, mostrando-se desejosos "de um comboio... mesmo que seja 'piquinino'..."

Em Beja, espera-se que os Voos (BEJA/LHR) anunciados não tenham transbordo nem em Évora nem em Casa Branca...




FAISÃO

imagem da net


poderia falar-se do Faisão, mas uns, preferiram entre natal e o ano-novo apoderar-se de armas, já no ano novo, falam da relação que tem com o dinheiro outros escondem-se no silêncio... é simplesmente extraordinário estes factos...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

açucar e afecto...

a necessidade de partilhar...


Aqui a letra

quase como roubar um livro...

"O valor de uma coisa só depende da importância que se dá a ela."
Adré Gide

tanto se fala...

" Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala."

José Saramago

domingo, 2 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

O mais que isto...


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa

2011 dificil...

Dizem os 'sábios' que o novo ano que hoje começou é será um "ano difícil" que 2011 já devia ter acabado...

Mas,

"Difícil [é] não entender e tentar explicar...
Difícil [é] saber e não querer acreditar..."

Rafael Torres